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id da página: 1115 Coomaraswamy – Figuras da Linguagem – Intenção Ananda Coomaraswamy Ananda Coomaraswamy »  Coomaraswamy Arte Rama Coomaraswamy

Coomaraswamy Intentio

Intenção

  • A defesa do princípio de que o significado de uma obra é inseparável da intenção do autor, a qual pressupõe valores, contra a posição de Beardsley e Wimsatt, que consideram a intenção indemonstrável e irrelevante para a crítica.
  • A afirmação de que a crítica de uma obra de arte deve considerar a relação entre a intenção e o resultado, relação esta formulada como conceito/produto, forma/figura ou arte no artista/artefato.
  • O recurso a Platão como precursor da crítica que considera a intenção, citando as Leis 668C, onde se afirma que para ser conhecedor de poemas é necessário saber a essência da obra, o que ela pretende e de que é imagem, a fim de decidir se a sua intenção acertou o alvo.
  • A concepção da obra de arte como algo que deve ser verdadeiro ao seu modelo e adaptado ao seu propósito prático, qualidades que coincidem na própria obra, à semelhança do estilo de escrita de Santo Agostinho, descrito como et pulcher et aptus.
  • A aplicação do mesmo princípio crítico a todas as formas de arte, sustentando-se com Platão que as produções de todas as artes são tipos de poesia e os seus artífices são todos poetas, que trabalham com vista a um fim.
  • A extensão do princípio da relação intenção/resultado ao juízo divino sobre a criação, onde a bondade do mundo resulta da perfeita correspondência entre a vontade divina e a obra realizada, análoga à relação entre o cosmos noetos e o cosmos aisthetikos.
  • A concordância com Beardsley e Wimsatt no sentido de que o autor compreende geralmente a sua obra melhor do que ninguém, e de que a crítica deve procurar colocar-se no ponto de vista original do autor para ver e julgar com os seus olhos.
  • A distinção entre a crítica da obra de arte enquanto tal, que avalia se o artista fez um bom trabalho na obra que se propôs realizar, e a crítica moral, que avalia a intenção ou o fim a que a obra se ordena, sendo esta última legítima, mas não constituindo crítica de arte no sentido estrito.
  • A refutação da alegação de que é impossível distinguir a intenção do autor do que ele realmente disse, argumentando que a detecção de falhas, desde um lapso de pena até a uma inconsistência interna entre matéria e forma, pressupõe precisamente essa distinção.
  • A afirmação de que o crítico pode conhecer o que estava na mente do autor, dentro dos limites da certeza ou "opinião correcta", desde que se identifique com o assunto, o ponto de vista e o ambiente espiritual do autor, o que exige trabalho e não mera sensibilidade.
  • A crítica ao uso de "deveria" e "deveria ser" em termos estéticos, argumentando que o único "dever" artístico relevante é o faciendum implícito na intenção do autor de produzir uma obra tão boa quanto possível no seu género, sendo toda a criação por arte ocasional e dirigida a fins particulares.
  • A conclusão de que a única crítica literária objetiva de uma obra existente é a que se faz em termos da relação intenção/resultado, pois não há graus de perfeição para obras perfeitas no seu género, podendo-se, no entanto, criticar a intenção que presidiu à sua criação, o que constitui um juízo de valor, mas não uma crítica de arte stricto sensu.